
O telefone toca e do outro lado és tu que me chegas. Sinto-te a respiração rápida, pesada, entrecortada por uma emoção traiçoeira. Todo o meu corpo desperta ao som da tua voz. Dizes que me desejas, que me queres. "Agora" - ordenas tu. E eu sei exactamente o que queres dizer. O coração dispara, uma onda de adrenalina percorre cada uma das minhas veias e um calor sufocante instala-se à flor da pele. Só tu despertas em mim os mais recônditos desejos. Tu e a tua voz, sempre a tua voz... doce, suave, saudosa. E a cada palavra tua são as minhas mãos que respondem, como se de uma marioneta se tratasse. E, sem que tenha qualquer controlo, elas apoderam-se do meu corpo, explorando-o, numa busca incessante de um prazer devorador. É com inconfidências sussurradas ao ouvido que me fazes ondular e vacilar e descair sobre o meu esterno em arco. Sei que também tu te acaricias enquanto me imaginas deitada nesta cama. Aposto que tens os olhos fechados para me sentires a teu lado e que é a lembrança de um corpete rendado que num dia me pus e tu desapertaste, colchete a colchete, que te faz ficar louco de tesão até que seja tão insuportável que não consigas mais conter-te. Oiço-te a vires-te do outro lado da linha e também eu me liberto deste fogo de querer-te infinitamente. Mas nem mais um orgasmo me sacia desta fome louca de ti.
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escrito por m.